segunda-feira, 17 de novembro de 2014

12 mil pedem Reforma Política e protestam contra a direita na Av. Paulista

Manifestantes protestam “contra a direita atrasada” que foi às ruas pedir intervenção militar no Brasil e reivindicam reformas estruturais como urbana, agrária, tributária, além de uma constituinte para a reforma política. Ato ocorreu sob forte chuva

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Marcha “contra a direita” e por “reformas populares” reuniu cerca de 12 mil na Avenida Paulista. Ato ocorreu sob forte chuva (Foto: Mídia Ninja)
A “Marcha popular pelas reformas: contra a direita, por direitos”, realizada na noite desta quinta-feira em São Paulo, é uma resposta da esquerda aos manifestantes que, seis dias após a reeleição de Dilma Rousseff (PT), foram às ruas pedir o impeachment da presidente e defender a necessidade de uma “intervenção militar” no País.
De acordo com policiais militares que acompanharam o ato, cerca de 12 mil pessoas participaram. Os organizadores estimaram em 15 mil. Já o protesto realizado por eleitores do candidato derrotado à presidência Aécio Neves (PSDB) reuniu cerca de 2,5 mil pessoas no último dia primeiro de novembro (informações da Polícia Militar).
Sob chuva forte, o ato começou por volta das 17h no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp). “Tem uma ‘playboyzada’ aí dos Jardins que, porque o ‘titio’ Aécio [Neves] perdeu a eleição, ficaram ‘bravinhos’ e foram para a rua contra o povo. Se lá na marcha deles tem elite, que não gosto do povo, aqui tem povo trabalhador, aqui tem negro, aqui tem nordestino, aqui está o povo brasileiro”, gritou o líder do MTST, Guilherme Boulos de cima do caminhão de som, antes de a passeata começar. Era uma referência ao ato do último dia primeiro de novembro, que reuniu 2,5 mil pessoas no mesmo local para pedir a queda da presidenta Dilma Rousseff por impeachment ou por meio de um golpe militar.
De acordo com o líder do MTST, um dos objetivos era justamente “fazer o enfrentamento contra a direita atrasada”: “Eles têm ido às ruas nos últimos meses defender posições inaceitáveis para maioria do povo brasileiro. Defender não só intervenção militar e impeachment, como também semear ódio aos pobres, o racismo e a homofobia. Isso não pode ser admitido. Essa marcha vem para fazer contraponto e mostrar que se os golpistas do Jardins estão colocando mil pessoas nas ruas, nós vamos pôr 15 mil só para começar”.

Reformas

O segundo propósito da manifestação desta quinta-feira, ainda segundo o líder do MTST, é “pautar reformas populares no Brasil”: reforma política; reforma urbana e agrária; reforma tributária progressiva; democratização das comunicações; e desmilitarização da polícia. De acordo com Boulos, os manifestantes querem mostrar à presidente Dilma que ela tem todo o apoio para seguir adiante com as reformas – e, ao mesmo tempo, que encontrará os movimentos mobilizados caso não siga com suas promessas.
Presente na passeata, a ex-deputada federal do PSOL Luciana Genro, que disputou a Presidência em outubro, minimizou a representatividade do discurso de extrema direita: “Eu acho que a manifestação que ocorreu aqui dias atrás não tem força, não tem representatividade social. Mas é evidente que a direita existe no Brasil e ela se expressa, por exemplo, no massacre que a polícia e as milícias promovem semanalmente na periferia das grandes cidades”.
Dos Jardins, a passeata seguiu pela rua Consolação até o centro da cidade, na Praça Roosevelt. Após quase três horas de caminhada embaixo da chuva, o MTST encerrou o ato. No discurso final, Boulos deixou um recado para Dilma. “Nós não vamos permitir que a presidenta não faça as reformas que prometeu e não governe para os trabalhadores”.
Segundo a PM, não foram registradas ocorrências no ato.
Terra e CartaCapital

Repórter é agredida em marcha pelo golpe no último sábado

Vídeo mostra momento em que a premiada repórter fotográfica Marlene Bergamo, bicampeã do Troféu Mulher Imprensa, é covardemente agredida por manifestantes que pediam o impeachment de Dilma na avenida Paulista no último sábado

marlene bergamo agredida são paulo
Marlene Bergamo é agredida por manifestante durante ato contra Dilma em São Paulo (reprodução)
A premiada repórter fotográfica Marlene Bergamo, da Folha de S.Paulo, foi agredida no último sábado (15) durante a marcha fundamentalista que pediu o impeachment da presidente Dilma Rousseff na Avenida Paulista, em São Paulo (SP). Grupos que participaram do ato também conclamaram por uma intervenção militar.
Marlene divulgou em sua página no Facebook o vídeo que fazia enquanto foi atacada. De acordo com a repórter, os manifestantes atacavam pessoas que não concordavam com eles.
“Vício de profissão, liguei a câmera do celular. Aqui, um pouco da alma desses brasileiros”, escreveu. Em uma das imagens publicadas, é possível ver um rapaz com um soco inglês se aproximando dela. Marlene também relata que cuspiram no rosto de seu colega, o repórter Marcelo Zelic, vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais-SP e coordenador do Projeto Armazém Memória.
O repórter Marcelo Zelic, vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais-SP e coordenador do Projeto Armazém Memória, também foi agredido e recebeu uma cuspida na cara.

Revolta

Maristella Bergamo, irmã de Marlene, publicou no Facebook uma nota de repúdio sobre o incidente. “Minha irmã Marlene Bergamo fazendo o trabalho dela ganha tapas de um imbecil. Escolha seu partido, sua ideologia… mas antes escolha ser Homem, delinquente”, disse.
Também na rede social, o repórter Bruno Paes Manso comentou o ocorrido. “Marlene Bergamo praticando Holistic Journalism em intervalo da Rebelião Jornalística da Ponte na manifestação pelo impeachment quando de repente surge das profundezas um skinhead com um democrático soco-inglês na mão para agredi-la”, escreveu.

Impeachment e ditadura

Entre 5 mil e 6 mil pessoas, segundo a Polícia Militar (PM), concentraram-se em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) onde fecharam todos os sentidos da Avenida Paulista.
Em sua maioria, os manifestantes vestiram camisas nas cores verde e amarelo e seguravam bandeiras do Brasil gritando “fora PT”. A maior parte deles fez uma caminhada pela Avenida Paulista em direção a Praça da Sé.
Alguns trios elétricos se posicionaram em frente ao Masp e dividiram os manifestantes. A maioria defendia a ditadura militar enquanto outro grupo exigia apenas o impeachment de Dilma.

Vice-presidente do Grupo A Tarde é assaltada em Paris

Vice-presidente do Grupo A Tarde é assaltada em Paris
Vera Simões (à dir.) foi assaltada em Paris | Foto: Reprodução / Hildegard Angel
A socialite baiana Vera Simões Bainville sofreu um assalto em Paris, no último fim de semana, quando passava pelo subúrbio de Saint Denis em direção ao aeroporto Charles de Gaule. Vera Simões é a vice-presidente do holding editorial Grupo A Tarde e, segundo a matéria do jornal Tribuna da Bahia, viu um homem quebrar o vidro do carro com o cano de um revólver e levar a bolsa com todos os documentos, incluindo o passaporte. De acordo com a colunista Lu Lacerda, do IG, Vera Simões teve que embarcar sem o passaporte. A empresária teve que procurar a embaixada brasileira para embarcar sem o passaporte. Vera, que mora no Rio de Janeiro e tem endereço residencial também em Paris, chegou à capital carioca e mostrou que não ficou traumatizada. "Parece que estou chegando na Bahia, ninguém me fala ou pede nada", disse, bem humorada.

Informações do Bahianoticias

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Greve é suspensa na Cargill, mas mobilização continua

Após 24 horas de greve e dezoito horas de máquinas desligadas, decisão judicial leva trabalhadores da cargill Cacau localizada no distrito industrial de Ilhéus a suspender a paralisação. A empresa entrou com dissídio coletivo no tribunal regional do trabalho, que determinou, através de liminar, a necessidade de trinta por cento dos trabalhadores voltarem ao trabalho. Mesmo considerando tal decisão injusta, Sindicacau e trabalhadores decidiram suspender a greve e aguardar a decisão final da justiça, mantendo mobilizações até lá.

Os trabalhadores reivindicam o fechamento do acordo coletivo 2014/2015 com reajuste de 8%, piso salarial de R$ 1030,00 e Ticket Alimentação de R$ 650,00.



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Cinco perguntas ajudam a entender a rejeição dos poderosos ao Plebiscito

Basta ler as 5 para compreender por que a mídia e os conservadores rejeitam a Reforma Política, a Constituinte e mesmo a consulta aos eleitores

Antonio Martins, OutrasPalavras
O sociólogo Manuel Castells costuma dizer que o principal instrumento de manipulação usado pelas mídias de massa não é a distorção, mas o ocultamento dos fatos. Ele se deliciaria com as primeiras páginas de hoje dos três jornais brasileiros mais vendidos.
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Congresso, mídia e empresários ignoraram clamor popular por Reforma Política. Primeira etapa da reforma, que seria o Plebiscito, foi rejeitada pelos parlamentarescom o aval da grande imprensa e de setores financeiros.
Reforma PolíticaPlebiscito e Constituinte são, obviamente, as três principais novidades na agenda nacional. Dialogam diretamente com algo que se sente todos os dias, e que as ruas expressaram com clareza, nas últimas semanas: o descrédito do sistema político. Pois bem: nas capas das últimas semanas da Folha, do Estado e do Globo, estas três palavras perigosas estão literalmente banidas. Desapareceram não só da manchete e demais títulos, mas também dos textos. Comparecem, é claro, nas páginas internas, muito menos lidas. Aí são tratados como “descabelada proposta” (editorial do Estado), “proposta impraticável” (artigo de José Serra no mesmo jornal), “cheque em branco” (opinião do ministro da STF Ayres Britto, destacada pelo Globo) ou “populismo danoso” (texto do diretor da sucursal de Brasília da Folha). Exceção que confirma a regra: este último jornal publicou importante artigo de Tarso Genro a favor da Constituinte.
Leia também
Para compreender ainda melhor por que os poderosos temem o plebiscito, vale um exercício. Vamos examinar algumas das perguntas que poderiam ser apresentadas aos eleitores. Eis, apenas para alimentar o instrutivo debate, algumas sugestões:
Cinco perguntas perigosas ao povo:
1. Você concorda que as empresas devem ser proibidas de financiar políticos e partidos?
2. Você considera que a Lei 9.709 deve ser alterada, de modo a facilitar a convocação de Plebiscitos e Referendos (inclusive por iniciativa dos cidadãos), e a ampliar os mecanismos de democracia direta, inclusive por meio da Internet?
3. Você é a favor de limitar as reeleições, para todos os postos dos poderes Executivo e Legislativo a dois mandatos?
4. Você considera que as eleições brasileiras, para os poderes Executivo e Legislativo, devem admitir candidaturas de pessoas não ligadas a partidos políticos?
5. Você concorda com a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte voltada para a reforma do sistema político?

7º Bingo do Boi do Hernani Sá


Aula de História para criança de 6 anos

Sobre democracia: como uma mãe explicaria para a sua filha o sentido de se protestar em defesa da instauração de uma intervenção militar (e de como crianças de 6 anos são mais sábias que adultos golpistas)

impeachment dilma protesto intervenção militar
Líderes do PSDB, Geraldo Alckmin e Aécio Neves se posicionaram contra manifestantes que pediram “impeachment” de Dilma (Imagem: Pragmatismo Político)
Kika Castro, em seu blog
– Mamãe, por que esse povo todo tá gritando?
– Eles querem que a presidente que foi eleita na semana passada saia e o candidato que perdeu entre no lugar dela.
– Uai, mas se ele perdeu, não pode ganhar, né?
– Não pode mesmo, filhinha. Quando a gente joga um jogo e você perde, tem que aceitar. Tentar ganhar no próximo jogo. Se você força a barra pra ganhar de qualquer jeito, tá roubando.
– Então esse povo aí quer roubar no jogo?
– Mais ou menos isso… Eles pedem até que o Exército ajude a tirar a presidente eleita, pro candidato que perdeu entrar no lugar dela.
– Os soldados?!
– É. Isso a gente chama de “golpe”. Aconteceu isso uma vez, há 50 anos atrás, exatamente. Tinha um presidente eleito chamado Jango. Bom, na verdade, ele era vice-presidente, mas na época os vices também eram eleitos, separadamente, sabe? Aí, quando o presidente renunciou (quis deixar o cargo, por livre e espontânea vontade), o Jango virou presidente. Depois de um tempo, acusado de ser comunista (não vou te explicar o que é isso agora, filhinha), ele foi tirado do poder pelos “soldados”. Antes disso, tinha um povo, igual esses aí, que ficava fazendo marchas pela cidade, que eles chamavam de Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Ficavam falando que o presidente era comunista, que o Brasil ia virar Cuba, que o governo não respeitava os “valores da família” etc. E pediam ajuda ao Exército para tirar o presidente na marra.
– E ele foi tirado?
– Foi. Os caras do Exército começaram a governar o país no lugar dele, e proibiram as eleições, o povo não pôde mais escolher quem governaria o país. E aí começou o que a gente chama de ditadura militar. Foi um período ruim no nosso país e demorou 21 longos anos. As pessoas eram presas, e eles machucavam elas de verdade (muitas vezes até matavam) só porque pediam o fim da ditadura. As pessoas não podiam escrever o que quisessem, até os discos tinham que passar pelos censores antes de serem lançados. Os censores trabalhavam para o governo e decidiam se as ideias das pessoas podiam ser publicadas do jeito que elas queriam ou não. As pessoas também não podiam se manifestar livremente, ir para a rua para fazer marchas e pedidos.
– Uai, mas então esse povo não ia conseguir marchar! Então por que esse povo quer a volta da ditadura hoje, mamãe?
– Por que são loucos! Ou não estudaram história. Se hoje vivêssemos numa ditadura militar, eles jamais poderiam estar aí, fazendo essas passeatas ridículas. Como vivemos em plena democracia, até esses maus perdedores têm liberdade pra sair por aí, pedindo coisas idiotas. Mal sabem eles que, na época da ditadura, além de poderem ser presos e torturados por saírem às ruas desse jeito, eles ainda iam viver numa economia com muito mais problemas que a de hoje, que depois deixou o Brasil quase falido. A educação e a saúde eram ruins e o país já era corrupto. Milhares de inocentes foram mortos.
– Mas por que eles não aceitam que a presidente foi eleita?
– Porque são maus perdedores. Ela foi eleita por poucos votos de diferença, mas foi a maioria do povo que escolheu, ponto. Eles dizem que o governo dela é corrupto e que é uma ditadura, que estamos virando Cuba e que os “valores da família” não estão sendo respeitados, porque ela apoia que quem machuque gays só por serem gays seja preso…
– Uai, mamãe, era a mesma coisa que falavam nas marchas que você citou antes?!
– Isso, a mesma coisa que falavam há 50 anos, contra o presidente Jango. E, depois, deu no que deu…
– Então xeu ver se entendi: esse povo aí reclama que a presidente, que deixa até eles pedirem a saída dela, é uma ditadora. Pra combater a ditadora, eles pedem ajuda do Exército, pra tirar ela à força e colocar um cara que nem foi eleito no lugar dela. E defendem a ditadura, que, se existir de verdade, nem vai deixar que eles saiam por aí fazendo marchas e vai sair machucando e matando as pessoas só por pensarem diferente?!
(É, filhinha, você só tem 6 anos, mas é mais esperta que todos eles juntos!)
Ps.: Já se passaram três dias desde o protesto que reuniu 2.500 pessoas em São Paulo, das quais uma parte pedia intervenção militar para retirada da presidente da República reeleita democraticamente. Dois dos principais líderes do PSDB, Geraldo Alckmin e Aécio Neves repudiaram os pedidos de impeachment contra a presidente Dilma. O músico Lobão, por sua vez, tentou amenizar o tom dos protestos afirmando que “qualquer ditadura é injustificável”.