sábado, 17 de maio de 2014

Brasil gasta dez vezes mais em saúde e educação do que com estádios

Marilia Coêlho

Ministra Marta Suplicy e o presidente da CE, Cyro Miranda
A ministra da Cultura, a senadora licenciada Marta Suplicy, criticou os que afirmam que o dinheiro para a construção dos estádios para os jogos da Copa do Mundo deveria ser destinado à saúde e à educação. A ministra, que participou de audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte, nesta terça-feira (22), afirmou que o governo gasta quase dez vezes mais com educação do que o que foi gasto na construção dos estádios.
Marta Suplicy disse ainda que a Copa será uma oportunidade para o Brasil conseguir mostrar sua cultura para o mundo, graças à exposição do país na mídia, o chamado soft power.
- É uma chance única. Os países todos querem a Copa e as Olimpíadas porque é uma oportunidade de soft power que não tem preço. O que nós vamos ter de exposição de mídia, o que já deve estar acontecendo lá fora de exposição das nossas belezas, dos nossos filmes, é único – disse a ministra.
Marta Suplicy, que compareceu ao Senado para prestar contas do exercício de 2013, no Ministério da Cultura, disse que ministério tem poucos recursos, contando, no ano passado, com R$ 2,65 bilhões. Este ano, a pasta terá ainda menos re cursos, de acordo com a LOA passando para R$ 2,17 bilhões.
Vale-cultura
Marta Suplicy apontou como o programa mais importante do ministério o vale-cultura, que já atingiu 500 mil  trabalhadores. O programa destina ao trabalhador que ganha até cinco salários mínimos a quantia de R$ 50 para gastos em atividades culturais. Ela lembrou que 36 milhões de trabahadores ganham até cinco salários mínimos, o que significa que podem ser injetados bilhões a cada ano na cadeia produtiva da cultura. Segundo a ministra, 23 operadoras estão habilitadas a emitir o cartão vale-cultura.
- Num ano de vale-cultura, o trabalhador pode comprar 28 livros ou ir 40 vezes ao cinema ou 35 vezes ao teatro ou a 12 shows musicais - enumerou a ministra.
Museus
A ministra Marta Suplicy deu grande ênfase aos museus, nos quais, salientou, há necessidade de investimentos especiais. O presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Ângelo Oswaldo, que também participou da audiência pública, disse que o país vive um momento muito significativo no crescimento dos museus. Ele informou que o ministério conseguiu recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - Cidades Históricas da ordem de R$ 134 milhões, que serão investidos em 39 instituições museológicas. Esses recursos suplementares, explicou, foram liberado no ano passado pela presidente Dilma Rousseff.
Além disso, o Fundo Nacional da Cultura concorre também com recursos para a revitalização de museus. O ministério também está desenvolvendo com a Petrobras, disse o presidente do Ibram, um programa especial da ordem de R$ 20 milhões, que estão investidos na revitalização e na melhoria dos museus nas cidades-sede da Copa do Mundo ou próximas a elas.
- No ano passado a Embratur patrocinou uma pesquisa durante a Copa das Confederações, analisando o fluxo de turistas durante o certame. Foi verificado que 50% desses turistas, entre estrangeiros e brasileiros, optaram pelos museus como local de emprego do tempo. Depois dos estádios, eles iam aos museus. Com Isso conseguimos matricular outra vez os museus como prioridade junto aos patrocinadores brasileiros, porque viram que os museus, realmente, são um grande atrativo - disse.
Cultura afro-brasileira
Marta Suplicy informou, ainda, que o ministério trabalha na construção de um museu interativo destinado à cultura afro-brasileira. Segundo a ministra, o museu deve contar a história da vinda dos africanos como escravos para o Brasil, e sua participação na construção do país em todas as áreas.
A ministra ressaltou que 52% dos brasileiros são afrodescendentes.
Legislação e Cultura
A ministra ressaltou leis e emendas constitucionais aprovadas no ano passado que beneficiaram a cultura brasileira, como a Emenda Constitucional 75, que veio da PEC da Música, e a nova lei do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição).
A Emenda 75 deu imunidade tributária aos fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil com músicas de autores brasileiros ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros. A nova lei do Ecad (Lei  12.853/2013), que trata dos direitos autorais, define as condições de cobrança, arrecadação e distribuição dos direitos autorais sobre obras musicais.
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Ecad, elogiou a atuação da ministra e criticou uma declaração do cantor Ney Matogrosso em reportagem do jornal Folha de S. Paulo sobre a nova lei. Segundo Randolfe, o cantor disse que tem “asco dos políticos”, embora tenha dito que, com a nova lei, passou a receber R$ 2 mil por mês, quando antes recebia apenas R$ 30 do Ecad.
- É uma generalização que, no meu entender, despolitiza a política. Não faz bem à política – lamentou.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pediu o apoio da ministra para que a presidente Dilma Rousseff sancione um projeto de autoria dele que obriga as escolas a exibirem filmes brasileiros para os alunos. A proposta (PL 7.507/2010), aprovada na Câmara na forma de um substitutivo, volta ao Senado antes de ir à sanção.
Para a ministra, a proposta é importante, mas deve exigir recursos que o Ministério da Cultura não têm. Mas Cristovam insistiu para que Marta apoie a sanção do projeto. Ele argumentou que, se não há recursos para implantar a medida em 200 mil escolas, pode-se começar com o que for possível.
Agência Senado

Só no Brasil há saúde grátis e universal mas gasto privado maior




Aos 21 anos, Sistema Único de Saúde (SUS) vive 'paradoxo'. É gratuito e aberto a todos mas tem menos dinheiro do que iniciativa privada gasta para atender menos gente. Em nenhum outro país é assim, segundo a OMS. Despesa estatal brasileira é um terço menor do que a média mundial. Para especialistas, SUS exige mais verba. 'Orçamento precisa dobrar', diz Adib Jatene.

O Sistema Único de Saúde (SUS) completa 21 anos exibindo um paradoxo. O Brasil é o único país do mundo que tem uma rede de saúde gratuita e aberta a toda a população e, ao mesmo tempo, vê o mercado (convênios e consultas particulares) gastar mais dinheiro do que o Estado.

O motivo da contradição, dizem especialistas, é a falta de recursos públicos para fazer com que o SUS se realize plenamente, tal qual previsto na Constituição, o que exigiria pelo menos dobrar seu caixa.

As despesas com saúde no Brasil são de 8,4% do chamado produto interno bruto (PIB), a soma das riquezas produzidas pelo país durante um ano. Deste ponto de vista, o investimento está em linha com a média global, de 8,5% anuais, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A distinção está em quem puxa os gastos. No Brasil, 55% são privados (e beneficiam cerca de 46 milhões de conveniados) e 45%, públicos - favorecem todos os 190 milhões de brasileiros.

A fatia estatal representa 3,7% do PIB, um terço mais baixo do que a média internacional, de 5,5% do PIB, de acordo com a OMS. No resto do mundo, o gasto público equivale a 60% do total investido em saúde.

Quando se faz comparação com países com sistemas similares ao SUS – universais e gratuitos -, a disparidade é maior.

No Reino Unido, cujo modelo montado depois da Segunda Guerra Mundial é considerado clássico e inspirou o brasileiro, a despesa pública com saúde gira em torno de 7% do PIB. O Estado britânico responde por 82% dos gastos totais, os quais são de patamar semelhante aos do Brasil (8,7% do PIB).

No Canadá, que também conta com sistema público, o governo gasta cerca de 7% do PIB em saúde e o setor privado, 2,8%.

Em dois países escandinavos que são exemplo na área, Noruega e Suécia, o Estado gasta mais de 6% do PIB e responde por 72% do investimento em saúde.

“Se comparado com outros países do mundo que adotaram o sistema universal de saúde, o Brasil gasta muito pouco”, diz o médico e ex-ministro da Saúde Humberto Costa, atual líder do PT no Senado.

“O SUS tem um saldo positivo inegável nesses anos todos, mas tem esse paradoxo: é um sistema público e universal que gasta menos do que o setor privado”, diz Solon Magalhães Vianna, um dos relatores da Conferência Nacional de Saúde que, em 1986, esboçou o SUS.

Novas fontes

Para Vianna, o gasto público em saúde deveria duplicar, o que requer novas fontes de recursos para o setor. É a mesma posição do ex-ministro da Saúde Adib Jatene.
“Quando o SUS foi criado, diziam que era inviável, que os contituintes tinham sido irresponsáveis ao não apontar fontes de financiamento. Mas a Constituição apontou as fontes, nas disposições transitórias, só que elas nunca foram regulamentadas”, diz Jatene. “Eu estimo que o orçamento do SUS precise dobrar, mas não há nenhuma possibilidade de dobrar.”

Na avaliação de outro ex-ministro, José Gomes Temporão, é “significativo” o dado da OMS sobre o gasto privado superar o público no Brasil. Especialmente porque, enquanto o investimento estatal obedece a uma política nacional, o privado às vezes termina em plásticas.

“Na Argentina, 70% dos gastos com saúde são públicos. Aqui no Brasil, quem está arcando com o acesso à saúde são as famílias”, disse. “É importante a sociedade ter clareza que, ao investir no SUS, está investindo num patrimônmio que a sociedade construiu nos últimos 22 anos”.

O secretário de Saúde da prefeitura de São Paulo, Januário Montone, tem a mesma visão orgulhosa do sistema que faz aniversário. “O SUS foi uma vitória fantástica. É um sucesso, não existe nenhum sistema de saúde desse tamanho em nenhum lugar do mundo”, disse.

Ele é defensor da ampliação dos recursos para a saúde. Mas acredita que, depois de 23 anos da Constituição, o país precisa rediscutir o sistema de saúde e decidir se a iniciativa deve ou não participar dele. E, na opinião dele, deve. Até porque o próprio Estado precisa contratar serviços privados.
Autor: André Barrocal
Fonte: Carta Maior

A Petrobras e o futuro

A luta pela criação da empresa foi bela e consagradora. Ela é respeitada internacionalmente, mas ferozmente combatida
por Mauro Santayana publicado 14/05/2014 17:20, última modificação 14/05/2014 17:47
WIKIMEDIA COMMONS/CC
Petrobras
Criticada, vilipendiada, atacada desde o início por aqueles que se recusavam a acreditar na capacidade de realização da gente brasileira, e achavam que era melhor entregar nosso subsolo às petroleiras inglesas e norte-americanas, a Petróleo Brasileiro S.A. só foi criada porque milhares foram para a rua em sua defesa. Transformou-se em símbolo e bandeira de um Brasil viável, soberano e forte. Com o tempo, cresceu. Descobriu petróleo nas 200 milhas de nosso mar territorial. Desenvolveu e aprimorou, ao extraí-lo, a mais avançada tecnologia de exploração em oceanos. Tornou-se a mais premiada empresa na disputada Offshore Technology Conference (OTC), o “Oscar” da engenharia de petróleo. É respeitada internacionalmente, e ferozmente combatida. Há, hoje, no mundo inteiro, uma luta surda entre as grandes multinacionais de capital privado e estatais petrolíferas, pelas reservas de óleo e gás do planeta.
Considerando-se isso, seria melhor para as grandes corporações internacionais se pudessem incorporar a seu patrimônio as gigantescas reservas do pré-sal. Ou, que  não tivessem sido obrigadas a aplicar percentual mínimo, no Brasil, em pesquisa e a transformar o país em um dos maiores polos de desenvolvimento de tecnologia nessa área.
Há outros problemas enfrentados pela Petrobras, neste momento, que derivam de equívocos estratégicos cometidos pelo governo nos últimos anos. Antes de incentivar as vendas de automóveis, para diminuir os efeitos da crise sobre a indústria, o país deveria ter atentado para a questão: de onde viria o combustível? Seria possível obter, por meio de incentivo a veículos híbridos e elétricos, e da liberalização e desburocratização total da produção de etanol e biodiesel, fontes nacionais de energia para a movimentação dessa frota?
Se investirmos mais em automóveis e menos em transporte público, não estaremos aumentando, dia a dia, mês a mês, o consumo e a importância relativa de insumos importados – diesel e gasolina – na economia, tendo depois, por conta de inflação, de segurar os preços? O governo recusou-se a aumentar o preço dos combustíveis, afetando o faturamento da companhia, quando poderia tê-los corrigido, homeo­paticamente, ao longo do tempo, sem impactar de uma só vez a inflação, como provavelmente terá de fazer  a qualquer momento. Finalmente, a produção nacional também diminuiu, não por falta de reservas, mas por causa da abundância delas.
Plataformas de petróleo mais antigas tiveram de ser adaptadas ou substituídas por outras mais modernas, especialmente projetadas para trabalhar com o pré-sal, que foram majoritariamente construídas em território brasileiro. Navios gigantescos, como o João Cândido, o Celso Furtado, o José Alencar e o Zumbi dos Palmares, fabricados no Brasil, ajudaram a reerguer a indústria naval, criando milhares de empregos.
Os problemas da Petrobras são transitórios. Tenderão a se resolver, quando novas plataformas forem concluídas e entrarem em funcionamento; as novas refinarias forem inauguradas, diminuindo a importação de diesel e gasolina estrangeiros; e houver uma recomposição paulatina do preço dos combustíveis.
É natural que, com o tempo, suas diretorias e subsidiárias tenham se transformado – para partidos e parlamentares – em alguns dos mais cobiçados cargos da República. Tudo seria diferente, se, na Constituição, fosse vedada a senadores e deputados a ocupação de cargos públicos para os quais não tenham sido efetivamente eleitos. Ou, no limite, houvesse a proibição da indicação, para cargos executivos, de pessoas de fora dos quadros da própria empresa. Isso poderia diminuir, ainda sem evitar totalmente, a ocorrência de desvios e problemas, considerando-se o tamanho da Petrobras e as múltiplas áreas em que atua.
Com todos os problemas que tenha, e que devem ser corrigidos, a Petrobras é trunfo fundamental para o desenvolvimento e o futuro do Brasil, no terceiro milênio. Tudo que se faça, portanto, no âmbito do Congresso, ou da sociedade, pelo aprimoramento da empresa, tem de ser feito não para enfraquecê-la, mas para torná-la mais forte.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

São João dos Bairros estreia em Ilhéus neste domingo

Outros locais contemplados com o evento serão os bairros do Teotônio Vilela e a Estância Hidromineral de Olivença. O São João dos Bairros também ocorre em Itabuna, e é uma promoção da TV Santa Cruz, em parceria com as prefeituras dos dois municípios.
 
O projeto São João dos Bairros fará sua estreia em Ilhéus, neste domingo, 18, com uma grande festa na Conquista, a partir das 16 horas, nas intermediações da Praça Santa Rita. Estão confirmadas apresentações teatrais, grupos de dança, além das quadrilhas juninas Dinossauro e Faísca de Fogo. A animação da festa também ficará por conta dos grupos musicais Xote Apimentado e Baladeira do Forró. O evento é uma promoção da TV Santa Cruz, em parceria com as prefeituras dos municípios de Ilhéus e de Itabuna.
De acordo com o Departamento de Marketing da TV Santa Cruz, as duas outras festas já estão programadas para ser realizadas no dia 1º de junho, no Bairro de Teotônio Vilela, e no dia 15 do mesmo mês, na Estância Hidromineral de Olivença. Na semana passada, o projeto teve início em Itabuna, na Mangabinha. No município grapiúna, o evento também vai ocorrer nos bairros João Soares, Fátima e na Praça Rio Cachoeira.
 
Além do palco principal, serão instaladas barracas para a venda de comidas e bebidas típicas, ornamentação e outros acessórios. A expectativa é que, a exemplo do ano passado, o evento atraia milhares de pessoas, considerando a tradição junina do município e da região sul da Bahia. Conforme o regulamento do São João dos Bairros, a localidade mais animada receberá um troféu. Do mesmo modo, a comunidade que se destacar nos quesitos participação e organização também serão premiadas.
 
ASCOM 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Dilma promete transposição do rio São Francisco concluída em 2015

A presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou, nesta terça-feira, 13, que a conclusão das obras de transposição do rio São Francisco deve acontecer em 2015. 
Dilma esteve hoje visitando trechos da obra. No Ceará, ela avaliou os trabalhos no município de Jati, acompanhada do ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, e do governador do Estado, Cid Gomes (Pros). 

“Quando iniciamos a obra aqui, éramos bastante inexperientes, porque o Brasil jamais fez uma obra dessa dimensão e dessa proporção (...) Tivemos um conjunto de resistências quanto uso do São Francisco”, ressaltou a presidente.
 Dilma reconheceu que houve atrasos no processo. “É uma obra complexa (...) Não é pura e simplesmente abrir um canal e sair botando água nele. Implica numa serie de processos que ao longo do tempo foram sendo refeitos”, defendeu. 
Ela pontuou ainda que houve uma “subestimação da obra” e disse não acreditar que uma construção do porte da transposição, em outro lugar do mundo, levaria dois ou três anos para ser feita. 

Discurso
Durante discurso em palanque, a presidente defendeu as melhorias para o Nordeste. “Antes, as pessoas que passavam aqui eram retirantes, que iam para o Sudeste. Essa obra traz os nordestinos que saíram daqui de volta para as suas terras. Vai garantir que nós consigamos passar por qualquer período de seca”, disse Dilma. 


Redação O POVO Online

com informações do repórter Bruno Pontes (enviado a Jati)

terça-feira, 13 de maio de 2014

Recôncavo Baiano ganha mais 200 vagas de ensino superior

Governador Jaques Wagner inaugura campus da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), no município de São Francisco do Conde.

O governador Jaques Wagner e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva inauguraram nesta segunda-feira (12), no município de São Francisco do Conde, no Recôncavo, o primeiro campus da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afrobrasileira (Unilab), autarquia do Ministério da Educação. Na ocasião, o ex-presidente recebeu o título de Cidadão de São Francisco do Conde. 

Governador Jaques Wagner inaugura campus da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), no município de São Francisco do Conde.

O campus oferece 200 vagas para ensino superior presencial nos cursos de Humanidades e Letras, além de 360 de ensino a distância. Também participaram do evento de inauguração o ministro da Educação, Henrique Paim, a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, Luiza Bairros, e outras autoridades.

Em São Francisco do Conde há uma semana, Mamadu Seidi, 25 anos, natural da Guiné Bissau, na África, está matriculado no curso de Humanidades. “Eu vim para cá porque o Brasil é reconhecido como um país que tem boa qualidade de ensino. Conheço muitos guineenses que estudaram aqui e hoje fazem um bom trabalho no nosso país. Este intercâmbio me proporciona conviver com estudantes de vários países, pois não é bom viver isolado no mundo”. 

Economia e desenvolvimento

A estudante Milena Castro, 22 anos, precisa ir todos os dias para Salvador, onde cursa faculdade. “Com esta universidade aqui, vai facilitar muito. Vai trazer gente de fora, para estudar aqui, e quem já mora na cidade não terá tanta despesa nem vai perder tanto tempo, correndo risco de vida em estrada para ir à capital”. 

O empresário da construção civil, Carlos Alberto dos Santos, acredita que a universidade vai trazer outros benefícios para o município. “Terá mais comércio, estudantes de outros países e os moradores vão poder alugar imóveis. Isso vai dinamizar a economia da cidade”.

Segundo o governador Jaques Wagner, a localização da Unilab não foi escolhida ao acaso. “Esta é uma universidade cuja marca é o intercâmbio com a África e com países de língua portuguesa. O Recôncavo é sabidamente o espaço baiano que mais concentra afrodescendentes e Salvador é a maior cidade africana fora da África". 

Ele disse também que de 2007 para cá, o número de universidades federais na Bahia passou de uma para cinco. “Toda implantação de unidades de ensino representa a oportunidade de qualificação, principalmente para a juventude”. 

Herança africana


De acordo com o ex-presidente Lula, a Unilab foi criada em 2009 para promover o intercâmbio entre África e Brasil “porque nós tínhamos uma divida histórica com o povo africano, que foi escravizado e trazido para cá, ajudando a construir nosso país”.

Para a ministra Luiza Bairros, o Recôncavo abriga o que há de mais significativo da herança africana no Brasil. “É muito importante que tenhamos um campus na Bahia que reforce esta relação histórica entre Brasil e África, e principalmente entre o estado e os países africanos. A nossa história de luta se deve ao que aprendemos com os nossos ancestrais, aos que chegaram aqui antes de nós”.

O ministro Henrique Paim informou que, das quatro universidades criadas pelo governo federal no ano passado, duas foram na Bahia. “Aqui, nós conseguimos implantar também dois institutos federais de 2007 para cá. É um esforço muito grande que estamos fazendo para melhorar a oportunidade de qualificação do povo brasileiro e baiano”.



Em documento, Aécio prega acordo 'urgente' com EUA e fim do Mercosul

Retomar a Alca entra no rol das possíveis 'medidas impopulares' do candidato tucano, que como presidente da Câmara cobrou fechamento imediato de acordo de livre comércio com Casa Branca
por Helena Sthephanowitz publicado 13/05/2014 12:21
REPRODUÇÃO
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Reprodução do documento da Câmara sobre a adesão do Brasil à Alca, ideia defendida com entusiasmo por Aécio
Em recente passagem por Porto Alegre, para uma palestra durante o chamado Fórum da Liberdade, promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), o senador e pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, propôs o fim do Mercosul, que na sua visão deveria ser substituído por uma área de livre comércio.
A proposta remete à Área de Livre Comércio das Américas (Alca), um projeto, digamos, neocolonizador para a América Latina, lançado pelo ex-presidente dos EUA Bill Clinton e abraçado pelo governo tucano de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Não chega a causar surpresa as declarações do senador mineiro, se resgatarmos sua atuação como presidente da Câmara dos Deputados.
No ano de 2001, por exemplo, Aécio Neves estendeu o tapete vermelho do Parlamento brasileiro para o então secretário de Defesa dos EUA, William Cohen, empurrar a Alca goela abaixo do Brasil. O seminário "O Brasil e Alca", na Câmara, tinha oficialmente o objetivo de debater o tema, mas politicamente foi uma ação de pressão política, para reduzir resistências e abrir caminhos para a implementação daquele projeto.
Do encontr, foi produzido o compêndio – há quem chame de livro – com o mesmo nome do seminário, organizado pelo ex-deputado neoliberal Marcos Cintra (PFL) e pelo diplomata Carlos Henrique Cardim. O prefácio é de Aécio Neves e, nele, encontramos um pouco de seu pensamento de rendição à dependência econômica do país, via Alca.
O atual presidenciável dava como certa a implementação da Alca, e tratava o evento que acabara de patrocinar como "um marco" para alcançar os objetivos (estadunidenses), chamados por Aécio como "formidável":
"De fato, o Seminário “O Brasil e a Alca”, realizado nas dependências da Câmara dos Deputados, por iniciativa desta Casa, nos dias 23 e 24 de outubro de 2001, pode ser interpretado – e certamente assim o será nos anos vindouros – como um marco na trajetória de nosso processo de integração continental.
(...)
Sem dúvida, a liberalização do comércio em um território habitado por mais de 800 milhões de pessoas, com um PIB conjunto de US$ 11 trilhões, simultaneamente à construção de uma normativa comum em áreas como a de serviços, de investimentos, de compras governamentais e de propriedade intelectual, é, em si mesma, um objetivo formidável."

Este parágrafo acima é uma pérola de servilismo, que parece até escrita pelo Departamento de Estado dos EUA e apenas entregue a Aécio para assinar, pois nem sequer cita as barreiras impostas pelos norte-americanos para a entrada de produtos agrícolas brasileiros, um contencioso histórico.
Ou seja, defendeu integralmente que o Brasil abrisse seu mercado interno para os EUA, sem sequer exigir qualquer contrapartida, mesmo em setores que o Brasil já era mais competitivo.

Como se não bastasse, o prefácio de Aécio ainda trata a Alca como "acordo já firmado", "caráter urgente", e estabelece prazo-limite para 2005, o que faz o texto parecer mais uma peça de lobismo escancarado.
"... Há que se ressaltar o caráter relativamente urgente de tão ambicioso empreendimento. Com efeito, não defrontamos com um mero protocolo de intenções, mas, sim, somos partícipes de um acordo já firmado sobre o cronograma das correspondentes negociações, o qual prevê a conclusão dos entendimentos no horizonte já visível do ano de 2005".
Para se ter uma ideia, a proposta de fazer um tratado de livre comércio amarrando compras governamentais condenaria todo o futuro da política de conteúdo nacional na exploração do pré-sal. Hoje o Brasil já cria uma indústria até de sondas de perfuração, a qual nunca teve. Com a Alca, teria de comprar eternamente tudo em Houston. O resultado imediato disso? Desemprego e desindustrialização no Brasil.
Com a Alca, dificilmente teríamos como escolher o caça sueco Grippen e participar de seu desenvolvimento tecnológico. Seríamos praticamente obrigados, por tratados, a comprar os caças da Boeing e nas condições deles de não oferecer transferência de tecnologia.
Também eram um desastre anunciado as cláusulas de proteção de investimento. Se um investidor americano fizesse uma aplicação financeira no Brasil e o dólar aqui desvalorizasse, teríamos de pagar indenização por isso.
Outro desastre seria a abertura irrestrita do mercado a bancos e seguradoras dos EUA. Imaginem o rico dinheiro da poupança do cidadão brasileiro aplicado no Lehman Brothers, que faliu na primeira das recentes crises internacionais, em 2008...
Agora, a ameaça de acabar com o Mercosul e retomar a agenda da Alca entra no rol das "medidas amargas" e impopulares – já anunciadas, mas ainda obscuras – propostas pelos tucanos.
Fonte: Rede Brasil Atual